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Aromas de Vinhos

Os principais aromas dos vinhos

01 fevereiro 2022
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Flores brancas, frutas vermelhas, frutas maduras, amadeirado… Muitos são os aromas presentes nos vinhos. Conheça mais sobre as notas olfativas e como treinar seus sentidos!

Um dos elementos fundamentais levados em conta no momento em que apreciamos um bom vinho é o aroma

Para alguns especialistas do mundo dos vinhos, os aromas que a bebida reúne podem ser mais importantes que seu próprio sabor, por conta das sensações causadas ao apreciador

Cada vinho tem aromas bastante particulares, com maior ou menor teor de complexidade, por conta de diversos fatores, como a uva escolhida para o preparo, os métodos utilizados para amadurecimento e envelhecimento, e o tempo mantido armazenado. 

Entre os aromas mais comuns manifestados por nossa bebida favorita, estão as notas de frutas, de vegetais, de minerais, de ervas, de doces, flores, entre outros, como os aromas amadeirados.

Mas, para entender melhor sobre cada tipo de aroma presente nos vinhos, primeiro é preciso falar sobre as camadas de aromas: os primários, secundários e terciários.

Aromas primários dos vinhos

São aqueles provenientes das próprias uvas. Substâncias presentes na fruta são ativadas de forma natural durante a extração da polpa e a fabricação do vinho, provocando os aromas.

Entre os aromas primários mais populares estão os florais (que podem lembrar jasmim e rosas), vegetais, frutados, de especiarias (como pimenta e tomilho) e minerais.

Aromas secundários dos vinhos

São os aromas que estão nos vinhos, mas não necessariamente vieram das uvas, mas sim do processo de fermentação da bebida, a partir de reações químicas. 

Os aromas secundários podem variar de acordo com o método de fermentação selecionado e de acordo com o tipo de levedura utilizada no processo. 

Dica de leitura: Burmester: uma história tricentenária de excelência no Douro

Neste caso, são comuns algumas notas lácteas e fermentadas, ou até de frutas como banana.

No caso dos vinhos brancos feitos a partir da uva Chardonnay, por exemplo, podem surgir notas semelhantes às de manteiga.

Geralmente, os vinhos que revelam aromas primários e secundários não envelhecem. Ou seja, poucos vinhos avançam para os aromas terciários, surgidos na garrafa.

Aromas terciários dos vinhos

Por último, existem os aromas terciários dos vinhos, que também são conhecidos popularmente como o bouquet.

São desenvolvidos no envelhecimento, que pode ocorrer em barricas ou na própria garrafa de vidro.

Eles costumam ser mais complexos, e demandam aeração da bebida para se manifestarem melhor. 

Os aromas terciários podem ser florais (camomila), frutados (mais próximo das notas de frutas secas), balsâmicos, ou até mesmo de animais (couro ou carne de caça).

Treino e prática do olfato: aprendendo a sentir os aromas

Como tudo relacionado ao universo dos vinhos, é possível treinar seu olfato e sua memória olfativa com testes graduais. A percepção de cada aroma vai depender, portanto, do quanto você praticar.

Uma boa sugestão é o estímulo deste sentido com mais frequência. Durante as refeições, por exemplo, passe a perceber melhor o cheiro do que você ingere, principalmente itens do dia a dia, como frutas e vegetais. 

Com o tempo, passe a praticar análises simples dos vinhos que consome. Veja algumas dicas abaixo!

  • Para realizar uma análise olfativa básica em um vinho, por exemplo, coloque a bebida na taça. Encha entre um quinto e um quarto do recipiente
  • Caso o rótulo seja de uma safra mais antiga, é indicado que descanse por alguns  minutos na taça ou mesmo em um decanter antes do consumo. Isso fará com que os aromas do vinho se desenvolvam
  • Segure a taça pela haste ou pela base e faça movimentos circulares, para que o vinho entre em contato com o ar, desprendendo as moléculas dos aromas da bebida
  • Ao inclinar a taça, já será possível sentir suavemente as notas na parte superior. Perceba as fragrâncias e repita o processo sempre que possível
  • Um exercício eficaz é insistir em fazer comparações com pelo menos dois aromas de frutas e dois outros aromas variados a cada rótulo degustado

Os compostos aromáticos dos vinhos: conheça mais

Paisagem de casal degustando vinho. Imagem ilustrativa para post sobre aromas dos vinhos, da Winepedia, o blog da Wine

Estima-se que haja mais de 200 compostos aromáticos capazes de ser identificados pelos apreciadores nos vinhos. 

Eles são responsáveis pelas notas frutadas, florais, herbáceas, animais e minerais que podem se manifestar durante uma experiência sensorial com a bebida. 

Saiba mais sobre cada estilo de aroma!


Aromas frutados nos vinhos 

Entre as notas olfativas mais encontradas entre as diversas variedades de uva, estão aquelas que remetem a frutas.

Nos tintos, por exemplo, é bastante comum encontrar notas de frutas vermelhas como morango, framboesa e groselha, e notas de frutas negras, como ameixa, amora, e mirtilo. 

Nos rosés estas notas também são bastante marcantes. 

Já no caso dos vinhos brancos, encontramos com frequência notas que se assemelham às de frutas brancas, como maçã, melão e pêra, ou amarelas, como manga, pêssego e damasco. 

Os aromas que remetem a frutas cítricas como abacaxi, laranja, limão, lima e tangerina também se manifestam com frequência nos vinhos brancos. 

Dica de leitura: Conheça as principais características da uva Malvasia

Um detalhe que vale ser levado em conta é a relação do estilo do aroma frutado com o clima da região em que a uva foi cultivada e também maturada. 

Em regiões de clima mais frio, por exemplo, é comum que os aromas frutados remetam a frutas frescas, porque a uva não atinge seu ponto máximo de amadurecimento. 

Já em áreas de clima mais quente, os aromas mais comuns são de frutas maduras que podem lembrar frutas doces ou mesmo compotas.

Conheça abaixo alguns vinhos com aromas frutados variados!

Serras De Azeitão Seleção Do Enólogo Tinto 2019

Um tinto indicado para o dia a dia, jovem e moderno, sem passagem por barricas. Os aromas que se destacam lembram ameixa, cereja, framboesa, amora, e especiarias.

Durbanville Hills Atlantic View Merlot Rosé 2018

Este exemplar sul-africano traz a Merlot vinificada em rosé, e se destaca pelo estilo fácil de beber, com notas olfativas que lembram frutas vermelhas bem frescas e flores. 

Jolaseta D.O. Navarra Blanco 2019

Para quem gosta de rótulos frescos para apreciar em dias quentes, esse vinho branco é uma boa pedida. Produzido sob práticas sustentáveis, traz no olfato notas de maçã verde e abacaxi, além de toques de menta e amêndoa. 

Aromas de madeira no vinho

No passado, as barricas de carvalho eram usadas somente para realizar o transporte dos vinhos.

Mas, com o passar do tempo, os viticultores notaram que, quando em contato com a madeira, os vinhos tinham as características alteradas.

A partir de então, o carvalho ganhou outra relevância na elaboração da nossa bebida favorita. 

Atualmente, os enólogos podem escolher amadurecer ou mesmo fermentar um vinho em barricas de carvalho, que podem ser usadas para amaciar os taninos dos vinhos, estabilizar a coloração e para agregar novos aromas à bebida. 

Entre os destaques do uso do carvalho pelos enólogos, está a possibilidade de misturar barricas com diferentes tempos de uso, justamente para equilibrar a intensidade do vinho.

Além disso, outras variantes relacionadas aos barris também influenciam no resultado final do vinho, como o tempo de contato entre a bebida e a madeira, o tamanho do barril e o grau da tosta da madeira, que é a queima da superfície interna, dividida em leve, média e alta.

Amauta Corte III 2019

Este vinho argentino, um blend entre as uvas Malbec e Cabernet Sauvignon, tem passagem de seis a oito meses por barricas de carvalho americano e francês. 

Os aromas de frutas vermelhas maduras chamam a atenção pela delicadeza, e dividem espaço com as notas de tostado.

Nederburg 56 Hundred Cabernet Sauvignon 2018

Uva tinta mais plantada na África do Sul, a Cabernet Sauvignon dá vida a este vinho que mescla notas frutadas de cereja, amora e framboesa a um leve toque amadeirado. Na boca, os taninos são bem sedosos.

Finca La Chamiza Martín Alsina Malbec 2014

Um tinto nobre e expressivo, elaborado com uvas de vinhas centenárias. Com envelhecimento de 12 meses em barricas de carvalho francês, e mais 12 meses em garrafa, tempo em que ganha notas de frutas vermelhas maduras, especiarias, e amadeirado.


Agora que já sabe mais sobre os aromas presentes nos vinhos, que tal descobrir os melhores rótulos para quem está começando no mundo da nossa bebida favorita?

Ouça o episódio #79 do Wineverso Podcast e entenda como aguçar o paladar iniciante para vinhos!

Escrito por: Wine