{"id":21891,"date":"2020-03-10T09:00:00","date_gmt":"2020-03-10T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/?p=21891"},"modified":"2020-03-09T18:48:59","modified_gmt":"2020-03-09T21:48:59","slug":"vinhedos-do-fim-do-mundo-na-rota-da-patagonia-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/vinhedos-do-fim-do-mundo-na-rota-da-patagonia-argentina\/","title":{"rendered":"Vinhedos do fim do mundo: na rota da Patag\u00f4nia argentina"},"content":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea observar o mapa-m\u00fandi, vai perceber que, para os habitantes do norte do planeta (que s\u00e3o os maiores e mais exigentes consumidores de vinho), o fim do mundo \u00e9 a Patag\u00f4nia. Tanto a argentina quanto a chilena, nacionalidades que, ali\u00e1s, vivem disputando o t\u00edtulo de lugar mais austral do globo. De fato, o milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados que comp\u00f5em essa \u00e1rea s\u00e3o os que mais se aproximam do P\u00f3lo Sul.<\/p>\n<p>Por isso \u2014 e pelas incr\u00edveis belezas naturais que possui em suas plan\u00edcies ventosas, suas montanhas nevadas e grandes geleiras \u2014 a Patag\u00f4nia vem se transformando em um destino importante para en\u00f3filos, en\u00f3logos e viajantes \u00e1vidos por conhecer lugares \u201cfora da caixa\u201d, que chegam n\u00e3o s\u00f3 do Hemisf\u00e9rio Norte, mas de toda parte do mundo.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pequena, se comparada \u00e0 dos vinhedos de Mendoza e dos vales mais centrais do Chile. Mas os vinhos patag\u00f4nicos v\u00eam sendo cada vez mais elogiados.<\/p>\n<h2>Noites frescas de ver\u00e3o<\/h2>\n<p>Produzidos em altitudes que variam de 300 a 500 metros acima do n\u00edvel do mar, em regi\u00f5es como Rio Negro, Neuqu\u00e9n, La Pampa (na Argentina) e Vale de Puelo, Cocham\u00f3 e Ais\u00e9n, no Chile, as bebidas do fim do mundo t\u00eam sabor intenso, cor forte e riqueza arom\u00e1tica. Essas caracter\u00edsticas s\u00e3o oriundas de fatores como a aridez da regi\u00e3o, o frio do inverno e as noites frescas do ver\u00e3o.<\/p>\n<p>No passado, a aridez impedia a forma\u00e7\u00e3o de vinhedos nesse territ\u00f3rio, que requer sistemas de irriga\u00e7\u00e3o pela falta de chuvas. Mas gra\u00e7as aos colonizadores ingleses, que no s\u00e9culo 19 cavaram canais de irriga\u00e7\u00e3o \u00e0s margens do Rio Negro, a agricultura local foi viabilizada.<\/p>\n<p>Cultivadas em altitude menos elevada do que em outras regi\u00f5es vin\u00edcolas argentinas, como Mendoza, San Juan e Salta, as uvas patag\u00f4nicas t\u00eam um per\u00edodo de amadurecimento mais longo e lento, que lhes confere caracter\u00edsticas especiais.<\/p>\n<p>Nos 4.550 hectares de vinhedos plantados na regi\u00e3o patag\u00f4nica, \u00e9 cultivada uma grande quantidade de uvas, que geram vinhos para gostos variados. Entre os tintos, destacam-se Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir e Malbec. J\u00e1 para quem prefere os brancos, a dica \u00e9 experimentar os Chardonnay, Sauvignon Blanc, Viognier e S\u00e9millon.<\/p>\n<p>Esta \u00faltima, ali\u00e1s, merece toda aten\u00e7\u00e3o pela autenticidade. Fala-se muito nos Pinot Noir patag\u00f4nicos (e vale prov\u00e1-los, sobretudo em Chacra, como voc\u00ea confere nesta reportagem), mas em termos de autenticidade, a S\u00e9millon gera exemplares equilibrados que evoluem muito bem na garrafa, com nuances arom\u00e1ticas complexas e grande personalidade no paladar. Acredite: h\u00e1 vinhos S\u00e9millon com capacidade de guarda de dez anos!<\/p>\n<p>Do lado argentino, Neuqu\u00e9n \u00e9 a principal regi\u00e3o vitivin\u00edcola da Patag\u00f4nia e sua capital, hom\u00f4nima (430 quil\u00f4metros ao sul de San Carlos de Bariloche), \u00e9 a base para viajantes que querem submergir na produ\u00e7\u00e3o das vin\u00edcolas locais. Sede de um bom aeroporto regional, Neuqu\u00e9n permite visitas a adegas nas regi\u00f5es de Rio Negro e da pr\u00f3pria prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.familiaschroeder.com\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Familia Schroeder<\/a>, aberta para visitantes, que oferece um bom restaurante, mas n\u00e3o hospedagem. Os bons motivos para visitar este lugar v\u00e3o al\u00e9m das vinhas. Em 2003, durante a escava\u00e7\u00e3o para o estabelecimento do vinhedo, os trabalhadores encontraram o f\u00f3ssil de um Gigantosaurus \u2014 que se tornou marca registrada nos r\u00f3tulos dos vinhos da vin\u00edcola.<\/p>\n<p>Perto dali fica a gigantesca <a href=\"https:\/\/www.bodegadelfindelmundo.com\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Bodega del Fin del Mundo<\/a>, a 39 graus de latitude sul e a 55 quil\u00f4metros da cidade de Neuqu\u00e9n. A vin\u00edcola abriga nada menos do que 2.400 barricas, com capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 8 milh\u00f5es de litros por ano. O processo de elabora\u00e7\u00e3o pode ser observado do alto de corredores elevados, por meio de visitas guiadas.<\/p>\n<p>Outra vin\u00edcola, esta com apelo gastron\u00f4mico, \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.bodegamalma.com\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Bodega Malma<\/a>, que tamb\u00e9m merece uma visita por suas modernas instala\u00e7\u00f5es (h\u00e1 guias no local).<br \/>\n\u00c0 mesa, no Malma Restaurant, brilha a cozinha patag\u00f4nica, que inclui pratos como o tradicional cordeiro e a truta, peixe abundante na regi\u00e3o. Para uma visita exclusiva, a dica \u00e9 se hospedar na Casa Malma, a pousada da vin\u00edcola, constru\u00edda entre os vinhedos, com capacidade para cinco pessoas.<\/p>\n<h2>Algu\u00e9m disse Pinot Noir?<\/h2>\n<p>Se voc\u00ea comentar com algum morador local que veio \u00e0 Patag\u00f4nia para visitar as vin\u00edcolas, \u00e9 quase certo que ele dir\u00e1 para n\u00e3o perder os Pinot Noir da regi\u00e3o. Quando bem vinificados, mostram-se complexos e harm\u00f4nicos, combinando acidez refrescante e \u00f3tima concentra\u00e7\u00e3o de fruta, com boa express\u00e3o do terroir local. A dica, aqui, \u00e9 n\u00e3o cair na tenta\u00e7\u00e3o de compar\u00e1-los aos cl\u00e1ssicos Pinot Noir da Borgonha. Atente-se \u00e0 tipicidade da uva.<\/p>\n<p>Muitas vin\u00edcolas focam a produ\u00e7\u00e3o no aperfei\u00e7oamento dessa variedade, considerada temperamental, de dif\u00edcil cultivo. Uma delas \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.bodegahcanale.com\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Humberto Canale<\/a>, a oeste de Neuqu\u00e9n, bem perto da cidade de General Roca. \u00c9 a vin\u00edcola mais antiga da Patag\u00f4nia, em atividade h\u00e1 110 anos. Al\u00e9m de restaurante, o lugar oferece passeios guiados, participa\u00e7\u00e3o na colheita e at\u00e9 trekking.<\/p>\n<p>Os programas, que podem se estender por at\u00e9 dois dias, tamb\u00e9m podem incluir aperfei\u00e7oamento para profissionais de gastronomia. \u00c9 preciso reservar com anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 nas adegas biodin\u00e2micas da <a href=\"https:\/\/www.bodegachacra.com\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Bodega Chacra<\/a> que os Pinot Noir mais famosos da Patag\u00f4nia s\u00e3o produzidos, em um processo beneficiado pelos vinhedos antigos e abandonados por colonizadores italianos h\u00e1 80 anos. Deixe para visit\u00e1-la no fim do roteiro e inspire-se nas 4 mil roseiras e 2.500 p\u00e9s de lavanda que cercam a horta da propriedade, onde s\u00e3o cultivados legumes, vegetais e ervas arom\u00e1ticas.<\/p>\n<h2>Onde ficar<\/h2>\n<p>Neuqu\u00e9n tem grande uma grande oferta de hot\u00e9is. Um deles \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.casinomagic.com.ar\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Casino Magic<\/a>. N\u00e3o ligue para o nome, digno de Disney World. O hotel \u00e9 discreto, com servi\u00e7o atencioso, quartos espa\u00e7osos, confort\u00e1veis e modernamente s\u00f3brios. Outra boa op\u00e7\u00e3o, com estilo mais moderno, \u00e9 o Cyan Soho Neuqu\u00e9n, um hotel novo localizado no centro da cidade, tem design inspirado na arquitetura nova-iorquina do fim do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p><i>Por Nathalia Hein<\/i><br \/>\nPublicado na revista WINE, edi\u00e7\u00e3o 123, fevereiro de 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na paisagem dram\u00e1tica da Patag\u00f4nia argentina, h\u00e1 lugar tamb\u00e9m para as vinhas, ponto de partida para a produ\u00e7\u00e3o de exemplares com perfil \u00fanico<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":21896,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[2036,623,2627,4194],"class_list":["post-21891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-enoturismo","tag-argentina","tag-enoturismo","tag-patagonia","tag-polo-sul"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21891\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}