{"id":23474,"date":"2020-07-29T08:00:58","date_gmt":"2020-07-29T11:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/?p=23474"},"modified":"2020-08-12T19:23:56","modified_gmt":"2020-08-12T22:23:56","slug":"poesia-e-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/poesia-e-vinho\/","title":{"rendered":"Vinicultura na arte: poesias que o vinho inspira"},"content":{"rendered":"\n<p>A hist\u00f3ria do vinho possui uma rela\u00e7\u00e3o estreita com a hist\u00f3ria da arte. N\u00e3o s\u00e3o poucos os artistas que se valeram e ainda se valem da bebida para traduzir em linguagem po\u00e9tica sua percep\u00e7\u00e3o sensorial do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja como protagonista, coadjuvante ou para potencializar os significados de um tra\u00e7ado, o vinho \u00e9 utilizado para dar um tom de poesia a mais em diferentes obras. Quem diz que, sem ele, n\u00e3o h\u00e1 inspira\u00e7\u00e3o art\u00edstica errado n\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo, vamos compartilhar com voc\u00ea algumas obras em que <strong>vinho e arte<\/strong> traduzem o encontro perfeito entre primor est\u00e9tico e o sabor inebriante da arte e do vinho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vinho e pintura: a arte de elaborar tra\u00e7os e sensa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O vinho deu vaz\u00e3o a ideias e pensamentos<strong> <\/strong>para a cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias obras importantes que comp\u00f5em a hist\u00f3ria da arte. Desde a antiguidade cl\u00e1ssica, a bebida tem sido retratada por pintores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Baco, deus do vinho, tamb\u00e9m conhecido como Dion\u00edsio, serviu como inspira\u00e7\u00e3o para diversos trabalhos ao longo do tempo. Separamos 3 obras de diferentes contextos para voc\u00ea apreciar <strong>vinho e arte<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O triunfo de Pan (1636): <\/strong>A obra de Nicolas Poussin, artista mestre franc\u00eas que viveu grande parte da sua vida na It\u00e1lia, \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de uma celebra\u00e7\u00e3o entre ninfas e s\u00e1tiros diante de uma est\u00e1tua de Pan, divindade das florestas associada a Baco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na obra, a celebra\u00e7\u00e3o pode ser interpretada como um bacanal, que contempla dan\u00e7a, vinho e sensualidade. A obra faz parte do acervo da \u201cThe National Gallery\u201d, que fica na cidade de Londres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O almo\u00e7o dos barqueiros (1880): <\/strong>Pierre-Auguste Renoir, um dos precursores do impressionismo, levou o vinho para suas obras em distintos momentos de sua vida como artista. Em \u201cO almo\u00e7o dos barqueiros\u201d, ele retrata um almo\u00e7o na Maison Fournaise, situada nas margens do Sena.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra representa um grupo de amigos e membros da fam\u00edlia Fournaise, que vivenciam um momento de descontra\u00e7\u00e3o ao redor da mesa desarrumada e repleta de ta\u00e7as e garrafas de vinhos. A pintura faz parte do acervo da The Phillips Collection, em Washington.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vinhas e oliveiras (1919) <\/strong>A viticultura tamb\u00e9m teve seu lugar de representa\u00e7\u00e3o no surrealismo? O artista Joan Mir\u00f3 retrata a paisagem de Tarragona, localizada nas proximidades de Montroig, regi\u00e3o da Catalunha, Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta tela, o artista representou vinhas minuciosamente detalhadas em primeiro plano.&nbsp; Ao fundo, as oliveiras e montanhas completam a paisagem id\u00edlica t\u00edpica do surrealismo. A obra est\u00e1 exposta no museu Metropolitan, em Nova York.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O vinho e os sentidos constru\u00eddos pela s\u00e9tima arte<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Dentro da obra audiovisual, tudo tem significado e sentido. As informa\u00e7\u00f5es visuais podem ser usadas como s\u00edmbolo, met\u00e1fora ou recursos narrativos para provocar sensa\u00e7\u00f5es peculiares no espectador.<\/p>\n\n\n\n<p>No cinema, o vinho pode estar atrelado \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do amor, paix\u00e3o, sedu\u00e7\u00e3o e conquistas. Alguns diretores e roteiristas tamb\u00e9m podem associ\u00e1-lo \u00e0 solid\u00e3o ou a alguma experi\u00eancia \u00fanica e \u00edntima de determinado personagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas s\u00e3o as interpreta\u00e7\u00f5es da linguagem simb\u00f3lica formada pela uni\u00e3o entre <strong>vinho e arte<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7a 3 filmes que, em sua estrutura narrativa, se valem da bebida para construir imagens carregadas de ideias e emo\u00e7\u00f5es complexas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Meia Noite em Paris (2011):<\/strong> O filme do diretor Woody Allen usou a bebida para refor\u00e7ar o aspecto esnobe de um personagem enfadonho. O diretor n\u00e3o hesitou em usar o vinho para representar a sofistica\u00e7\u00e3o e o requinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode ser identificado na cena em que os personagens fazem degusta\u00e7\u00e3o de vinho num terra\u00e7o do hotel Le Meurice, com vista para a Torre Eiffel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sideways (2004):<\/strong>&nbsp; Essa obra cinematogr\u00e1fica utiliza o vinho a partir de m\u00faltiplos aspectos est\u00e9ticos. Nela, a bebida \u00e9 apresentada como met\u00e1fora, s\u00edmbolo e recurso narrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um verdadeiro convite \u00e0 imers\u00e3o em diferentes contextos da produ\u00e7\u00e3o e degusta\u00e7\u00e3o. O personagem Miles critica duramente a uva Merlot e descreve sua paix\u00e3o pela Pinot Noir. Se voc\u00ea deseja aprofundar seus conhecimentos em viticultura, vale a pena assistir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vicky Cristina Bacelona (2008):<\/strong> Woody Allen representa a utiliza\u00e7\u00e3o do vinho como recurso narrativo que potencializa o aspecto sedutor de uma das personagens. O diretor n\u00e3o economizou no uso da bebida, que est\u00e1 presente em, praticamente, toda a obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo no in\u00edcio, Cristina, que come\u00e7a a trocar olhares com Juan Antonio, artista bo\u00eamio, diz \u00e0 sua amiga Vicky: \u201cN\u00e3o estou provocando, estou s\u00f3 bebendo meu vinho\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vinho e literatura: prosas de protagonismo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Juntos, um bom livro e um bom vinho s\u00e3o capazes de oferecer experi\u00eancias fant\u00e1sticas. Esse \u00e9 o tipo de harmonia que mais faz parte do cotidiano de quem n\u00e3o perde a oportunidade de embalar seu momento de leitura na companhia de uma ta\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Melhor ainda \u00e9 quando podemos construir um entrosamento peculiar entre <strong>vinho e arte<\/strong> ao mergulharmos em obras que se valem da bebida como elemento est\u00e9tico e narrativo. Confira 3 momentos especiais em que a literatura menciona a bebida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991):<\/strong> Na obra, Jos\u00e9 Saramago menciona a bebida nada menos que 29 vezes.&nbsp; O escritor se valeu um conhecido epis\u00f3dio b\u00edblico para compor uma narrativa repleta de poesia e sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Confira um trecho: <em>O noivo, que nunca em sua vida vira aquelas talhas servirem a vinho e, ali\u00e1s, de mais sabia ele que o vinho se acabara, provou tamb\u00e9m e fez cara de quem, com mal fingida mod\u00e9stia, se limita a confirmar o que tinha por certo, a excelente qualidade do n\u00e9ctar, por assim dizer um vintage.<\/em>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Lavoura arcaica (1975):<\/strong> O escritor Raduan Nassar usa as formas simb\u00f3licas do vinho para potencializar atributos de personagens e promover um trajeto po\u00e9tico rumo ao entorpecimento. N\u00e3o s\u00e3o poucos os paradoxos que a bebida imprime na narrativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>E depois de ter deitado tanto vinho nos copos, o anci\u00e3o interrompeu subitamente a falsa bebedeira, e, assumindo sua antiga simplicidade, a fisionomia de repente austera, falou com sobriedade ao faminto com quem dividira imaginariamente sua mesa: \u201cFinalmente, \u00e0 for\u00e7a de procurar muito pelo mundo todo, acabei por encontrar um homem que tem o esp\u00edrito forte, o car\u00e1ter firme, e que, sobretudo, revelou possuir a maior das virtudes de que um homem \u00e9 capaz: a paci\u00eancia\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Enclausurado (2016):&nbsp; <\/strong>O livro de<strong> <\/strong>Ian McEwan tem como personagem principal um feto prestes a nascer. Na narrativa, o vinho est\u00e1 presente na consuma\u00e7\u00e3o do ato sexual que gera o personagem, o que faz com que ele se torne especialista na bebida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura promove uma s\u00e9rie de componentes sensoriais que nos convida a um contexto singular de degusta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Gosto de compartilhar uma ta\u00e7a com minha m\u00e3e. Voc\u00ea talvez nunca tenha experimentado, ou j\u00e1 ter\u00e1 esquecido, um bom Borgonha (o preferido dela) ou um bom Sancerre (tamb\u00e9m seu preferido) decantado atrav\u00e9s de uma placenta saud\u00e1vel. Antes mesmo que o vinho chegue [&#8230;] ao som da rolha ser retirada eu sinto no rosto como a car\u00edcia de uma brisa de ver\u00e3o.&nbsp;<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>J\u00e1 deu para perceber que, quando o assunto envolve <strong>vinho e arte<\/strong>, composi\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e po\u00e9ticas n\u00e3o faltam aos artistas. O lugar privilegiado que a bebida ocupa nos coloca diante de contextos amplos de diferentes sensa\u00e7\u00f5es.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma garrafa de vinho pode se transformar em verdadeiros tesouros po\u00e9ticos quando colocada nas m\u00e3os e na mente de grandes artistas<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":23551,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-23474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23474\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}