{"id":25636,"date":"2023-11-18T16:12:00","date_gmt":"2023-11-18T18:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/?p=25636"},"modified":"2024-10-07T09:08:09","modified_gmt":"2024-10-07T12:08:09","slug":"curiosidades-sobre-a-vinicultura-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/curiosidades-sobre-a-vinicultura-na-franca\/","title":{"rendered":"Curiosidades sobre a vinicultura na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>\nA Fran\u00e7a \u00e9 conhecida no mundo inteiro pela qualidade e diversidade\nde seus vinhos. Esta fama se deve a certas particularidades de solos,\ncastas de uva, climas (ou terroir vistos sob conjunto), assim como \u00e0\ntradi\u00e7\u00e3o de seus vinhateiros (vignerons) ou produtores\n(producteurs), herdeiros de um longo conhecimento passado muitas\nvezes de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o (savoir-faire). \n<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as\na nuances sutis, cada solo, safra e castelo (ou ch\u00e2teau: dom\u00ednio,\nvin\u00edcola ou propriedade) oferecem ao pa\u00eds o privil\u00e9gio de\napresentar uma gama de vinhos inigual\u00e1veis. Assim, o consumidor sem\nd\u00favida encontrar\u00e1 o vinho de sua prefer\u00eancia, de acordo com suas\npossibilidades. \n<\/p>\n\n\n\n<p>Se\nno Brasil muitas vezes o vinho ainda \u00e9 considerado um artigo de\nluxo, entre os franceses a bebida faz parte do cotidiano, de sua\ncultura e de sua gastronomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\nisso, neste texto voc\u00ea descobrir\u00e1 algumas particularidades das\ncaracter\u00edsticas da vinicultura da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O\nvinho na Fran\u00e7a <\/strong>\n<\/p>\n\n\n\n<p>A\norigem da vitivinicultura na Fran\u00e7a \u00e9 controversa. Tudo parece ter\ncome\u00e7ado com a coloniza\u00e7\u00e3o do sul da Fran\u00e7a pelos gregos vindos\nda L\u00eddia, que ali se instalaram tentando escapar da invas\u00e3o persa.\nEles fundaram Mass\u00e1lia (atual Marselha), que produzia seu pr\u00f3prio\nvinho e as \u00e2nforas para o transporte e a exporta\u00e7\u00e3o. \n<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns\nhistoriadores acreditam que o primeiro vinho experimentado na\nBorgonha, tenha vindo de Marselha ou da pr\u00f3pria Gr\u00e9cia, j\u00e1 que,\nal\u00e9m de grandes exportadores, os gregos dominavam as rotas do rios\nRh\u00f4ne, Sa\u00f4ne (na Borgonha) e tamb\u00e9m do Sena e do Loire. Em 1952,\nfoi descoberta na cidade de Vix (situada entre Paris e a regi\u00e3o da\nBorgonha) uma enorme jarra grega em fino bronze, com aproximadamente\ndois metros de altura, capacidade de 1.200 litros e datando de 600\na.C.! \n<\/p>\n\n\n\n<p>Em\nrela\u00e7\u00e3o aos respons\u00e1veis pela chegada da bebida na Fran\u00e7a, outros\nestudiosos ainda se dividem entre os romanos e os celtas. E h\u00e1 ainda\nos que afirmam que n\u00f4mades que habitavam a regi\u00e3o da Fran\u00e7a na\nIdade da Pedra se dedicaram ao plantio e \u00e0 colheita de uvas. \n<\/p>\n\n\n\n<p>Vale\nlembrar que muito perto das cavernas de Lascaux (regi\u00e3o do P\u00e9rigord,\nsul da Fran\u00e7a) ainda brotam vinhedos selvagens. \u00c9 bem prov\u00e1vel que\nos gauleses, de origem celta, tenham travado contato com os vinhos do\nMediterr\u00e2neo, via Marselha, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Marselha passou a\nfazer do Imp\u00e9rio Romano em 125 a.C., mas n\u00e3o deixou de se\nconsiderar uma cidade grega. Narbonne (antiga Narbo), situada na\nregi\u00e3o da Provence (Proven\u00e7a), foi de fato a primeira col\u00f4nia\nromana em terras francesas. \n<\/p>\n\n\n\n<p>Deste\nponto, o imp\u00e9rio de C\u00e9sar seguiu para o Vale do Rh\u00f4ne e, a oeste,\natingiu a regi\u00e3o de Bordeaux. Borgonha, Tr\u00e9veris e Bordeaux foram,\nno in\u00edcio, regi\u00f5es importadoras de vinho, passando depois a plantar\nsuas pr\u00f3prias parreiras e se transformando em grandes centros de\nprodu\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de vinho. \n<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9\nfato que no s\u00e9culo II j\u00e1 existiam vinhedos na Borgonha e, no s\u00e9culo\nIII, no Vale do Rio Loire. No s\u00e9culo IV, eles j\u00e1 estavam presentes\nnos arredores de Paris, Champagne, Mosela e Reno. J\u00e1 os vinhedos da\nAls\u00e1cia surgiram apenas no s\u00e9culo IX e n\u00e3o vieram dos romanos. \n<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Castas\nfrancesas <\/strong>\n<\/p>\n\n\n\n<p>A\ncasta ou cepa \u00e9 o tipo, a qualidade ou a variedade de vinha (videira\nou parreira) que produz certa uva, com peculiaridades pr\u00f3prias. Cada\ncepa \u00e9 respons\u00e1vel pela composi\u00e7\u00e3o de determinado vinho ou\ncontribui para sua a elabora\u00e7\u00e3o, no caso dos vinhos de corte\n(quando se mesclam duas ou mais uvas). \n<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Principais\ncastas de uvas tintas francesas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nCabernet Sauvignon: uva tradicional da regi\u00e3o de Bordeaux\n(especialmente no M\u00e9doc).<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nCabernet Franc: uva leve, menos t\u00e2nica e de casca menos grossa;\nquando pura (Vale do Loire, regi\u00e3o noroeste da Fran\u00e7a) produz o\ncl\u00e1ssico Chinon. \n<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nPinot Noir: a casta dos grandes vinhos tintos da Borgonha, por\nexcel\u00eancia; muito delicadas, as uvas possuem casca fina, textura\nsedosa, mas rica em taninos e por ser de matura\u00e7\u00e3o precoce, em\ngeral mostra boa acidez.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nMerlot: muito cultivada na regi\u00e3o de Bordeaux, onde \u00e9 majorit\u00e1ria;\nentra na elabora\u00e7\u00e3o dos famosos Ch\u00e2teau P\u00e9trus e Saint-\u00c9milion. \n<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nShiraz ou Syrah: respons\u00e1vel por vinhos intensos, muito encorpados e\nt\u00e2nicos, principalmente no Vale do Rh\u00f4ne (sul da Fran\u00e7a). \n<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nGamay: uva da regi\u00e3o de Beaujolais, por excel\u00eancia, entrando na\nelabora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Gamay e do Beaujolais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nGrenache: a cepa mais cultivada no mundo, dando vinhos fortes,\nfrutados, escuros e de alto teor alco\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nMalbec: principal variedade da regi\u00e3o de Cahors, tamb\u00e9m presente em\nBordeaux; d\u00e1 origem a vinhos encorpados, potentes, macios, frutados,\nde cor escura e com muito tanino. \n<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nTannat: uva origin\u00e1ria do sul da Fran\u00e7a; gera vinhos estruturados e\nencorpados, com grande intensidade de cor e aromas deliciosos de\nfrutas escuras e chocolate. \n<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Principais\ncastas de uvas brancas francesas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nChardonnay: origin\u00e1ria da Borgonha, \u00e9 a casta de uva branca de\nmaior prest\u00edgio no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nSauvignon Blanc: normalmente encontrada no Vale do Loire (em Pouilly\nFum\u00e9 e Sancerre); trata-se de uma uva seca e viva, que gera vinhos\nfrutados, ligeiramente estruturados e c\u00edtricos, de alta acidez. \n<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nChenin Blanc: cepa vers\u00e1til, apta ao envelhecimento, proveniente do\nVale do Loire, a qual produz desde vinhos brancos secos, que\nenvelhecem bem, a vinhos doces, complexos, de sobremesa e at\u00e9\nespumantes estilo champanhe, na cidade de Vouvray.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nGew\u00fcrztraminer: tida como a mais arom\u00e1tica das uvas, tem pele\nrosada e gosto caracter\u00edstico. T\u00edpica da regi\u00e3o da Als\u00e1cia\n(noroeste da Fran\u00e7a).<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nS\u00e9millon: mesclada com a Sauvignon Blanc \u00e9 a base da composi\u00e7\u00e3o\ndos grandes vinhos de Bordeaux, tanto os secos (da regi\u00e3o de Graves)\nquanto os doces (da regi\u00e3o de Sauternes). \n<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nViognier: uva de forte aroma, da regi\u00e3o de C\u00f4tes du Rh\u00f4ne\nsetentrional, produz vinhos muito leves e arom\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nRiesling: juntamente com a Chardonnay, \u00e9 considerada umas das\nprincipais uvas do mundo. Seus vinhos apresentam m\u00e9dio (ou baixo)\nteor alco\u00f3lico e elevada acidez.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf\nMuscat: denominada Moscatel na pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e Moscato na\nIt\u00e1lia. \u00danica variedade que, mesmo depois da fermenta\u00e7\u00e3o, ainda\napresenta aroma de uva fresca. \n<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o\ndos vinhos franceses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A\nclassifica\u00e7\u00e3o dos vinhos franceses \u00e9 um sistema renomado e\ncomplexo que desempenha um papel fundamental na compreens\u00e3o e\naprecia\u00e7\u00e3o dos vinhos produzidos na Fran\u00e7a. A classifica\u00e7\u00e3o pode\nser de acordo com a origem, com o teor de a\u00e7\u00facar e tamb\u00e9m com com\no tipo ou estilo.<\/p>\n\n\n\n<p>O\nvinho nunca esteve t\u00e3o em alta. Ou talvez nunca tenha deixado de\nestar. Desde sua origem na \u00c1sia, na Antiguidade, ao apogeu no Velho\nMundo, durante a Idade M\u00e9dia e Renascen\u00e7a, chegando ao Novo Mundo\nnos dias de hoje, o vinho se faz cada vez mais presente, tanto nas\ncomemora\u00e7\u00f5es quanto na vida cotidiana e entender como se deu a\norigem da bebida no territ\u00f3rio franc\u00eas \u00e9 tamb\u00e9m celebrar o mundo\ndo vinho. Um brinde!<\/p>\n\n\n\n<p>Este\nmaterial faz parte do livro <em>Degustando em franc\u00eas<\/em>, <a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/nancy-alves\">conhe\u00e7a\noutros exemplares dos livros escritos por Nancy Alves<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre<\/strong>\n<em><strong>Nancy Alves<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Consultora\nPedag\u00f3gica e Mestra em L\u00edngua Francesa pela Universidade de S\u00e3o\nPaulo (Gradu\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o na USP). \u00c9 especialista das\nrela\u00e7\u00f5es interculturais entre o Brasil e a Fran\u00e7a na \u00e1rea da\nM\u00fasica Popular. Dedica-se h\u00e1 mais de vinte cinco anos ao estudo da\nl\u00edngua francesa. Possui duas especializa\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a :\nPedagogia, Lingu\u00edstica e An\u00e1lise do Discurso pela Universidade de\nParis XIII (um ano) e Formadora de Professores pelo Minist\u00e9rio de\nEduca\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a (CIEP). Respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o da\nL\u00edngua Francesa no Senac. Ministrou aulas na FAAP, FATEC, HOTEC e\nFMU. Participou recentemente (como coordenadora do Franc\u00eas) de um\nprojeto humanit\u00e1rio de Alfabetiza\u00e7\u00e3o em Franc\u00eas para pa\u00edses da\n\u00c1frica subsaariana desenvolvido pela Telef\u00f4nica Educa\u00e7\u00e3o Digital\n(Brasil e Espanha) com o apoio do Vaticano. \u00c9 autora dos livros Fale\ntudo em Franc\u00eas (Disal Editora), Fale tudo em Franc\u00eas em Viagens\n(Disal Editora), Franc\u00eas Fluente em 30 li\u00e7\u00f5es (no prelo \u2013 Disal\nEditora) .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto escrito por Nancy Alves<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":25637,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-25636","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25636","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25636"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25636\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.wine.com.br\/winepedia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}