Curiosidades

Crus: os preciosos terroirs franceses

23 agosto 2018
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Todo enófilo que conhece um pouquinho sobre vinho já ouviu falar em crus. Mas você sabe o que são e como surgiram? Descubra a seguir.

Entre as muitas definições que uma região pode ter, a expressão francesa “cru” é sinônimo de qualidade, tipicidade e excelência, restrito a pouquíssimos territórios vinícolas da França – entre eles: La Clape, um dos principais crus do Languedoc.

E o que significa, afinal, essa expressão? Cru refere-se a terroirs muito específicos e limitados da França, com características próprias. Sua origem data do início do milênio passado, lá para 1098, quando a Ordem Cisterciense começou a ocupar, a partir de Borgonha, diversas regiões francesas e, assim, influenciar a vitivinicultura em todo o país.

Seus monges eram reconhecidos pelo cuidado e pelo perfeccionismo que exerciam nos mosteiros – naturalmente, estendidos para as vinhas: eles estudavam minuciosamente todos os detalhes do processo de produção do vinho, do cultivo à elaboração.

Foi daí que nasceu o conceito de cru, que, com origem no latim, significa crescido – ou, melhor, desenvolvido. Por isso que, nas áreas de língua inglesa, se usa o termo “growth” para se referir ao cultivo.

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Mas voltando à França medieval: para os monges, cru dizia respeito a uma porção muito específica do vinhedo, que apresentava características constantes ano após ano – condição bastante rara e que dá origem a vinhos de qualidade marcante, cuja homogeneidade do terroir se torna um selo de reconhecimento dos seus rótulos.

Entendendo quais eram essas porções de terra, os dedicados monges desenharam um mapa dos crus da Borgonha – utilizado até hoje.

Desde então, pouquíssimas áreas da França são classificadas como cru. Ou seja, vinhos originados nesses terroirs são, de fato, de altíssima qualidade. Excelência francesa secular que garante alguns dos melhores vinhos do mundo.

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