Curiosidades

Vinho laranja e vinho azul

17 setembro 2018
  • 1123 visualizações
  • 0 comentários

Cada vez mais comentados, os vinhos laranja e azul despertam grande curiosidade sobre suas características. Descubra tudo sobre eles!

Vinho laranja e vinho azul. Já ouviu falar? Como se não bastasse o mundo de informações sobre brancos, tintos e rosés, chega a vez de mergulharmos no universo dos vinhos de cores laranja e azul. Mas é bom esclarecer que há uma enorme distância entre o que cada um representa.

Vinho laranja

O vinho laranja é um vinho ancestral, cuja produção vem sendo retomada há cerca de duas décadas, com tonalidade diferenciada, que pode variar do ouro velho ao âmbar.

Sua principal característica é a maceração de uvas brancas, que pode se estender por dias ou meses. É um processo atípico, já que essa técnica, de maceração é tradicionalmente utilizada na produção de vinhos tintos.

Pelo maior contato com as cascas, o vinho laranja apresenta coloração mais intensa, aliada à possível turbidez, por conter resíduos da vinificação. Por esse motivo, é comum em alguns lugares, principalmente na Geórgia, onde esse vinho nasceu, a adoção do termo “vinho âmbar”.

O termo laranja, aliás, dá margem à associação com a fruta, podendo distorcer o verdadeiro conceito desse tipo de vinho. Por isso, muitos não gostam desse nome.

Quando à vinificação, não há regras específicas para a produção desse tipo de vinho. Alguns produtores usam práticas naturais, orgânicas e até mesmo biodinâmicas. Pode conter leveduras indígenas (da própria uva) e mínima quantidade de conservantes. Há, ainda, produtores que realizam a fermentação sem controle de temperatura, em antigas ânforas de barro.

Porém, ele não necessariamente precisa amadurecer nessas ânforas. Embora não haja regras fixas para sua vinificação, há produtores que usam o conceito de ancestralidade de maneira mais rigorosa, por isso inserem ânforas de barro na fermentação.

Dica de leitura:  Blends: a alquimia dos vinhos

Um exemplo é o italiano Josko Gravner, considerado o “pai” dos atuais vinhos laranjas, que retomou a técnica de fermentar os vinhos em kvevris, ânforas georgianas de argila em forma oval.

Mas seus vinhos amadurecem em barricas de carvalho da Eslavônia, ou seja, o vinho fermenta nas ânforas e amadurece em barricas. Outros produtores, além das tradicionais ânforas, também utilizam barricas de carvalho e tanques de cimento.

As técnicas ancestrais de vinificação foram resgatadas pela Geórgia, berço do vinho laranja. Mas sua produção vem se espalhando com mais força pelas regiões vitivinícolas do norte do Mar Adriático, com destaque para a Eslovênia, a Croácia e a Itália.

A degustação de um vinho laranja vai além do que aprendemos nas aulas. Devemos levar em conta que são vinhos peculiares, de personalidade forte e heterogêneos, que podem apresentar aspecto turvo. As notas olfativas podem causar estranheza em um primeiro momento, remetendo a mel, casca de laranja seca, amêndoas, nozes, frutas maduras, toque oxidado, ervas, caramelo, amanteigado, alguma nota química.

Em boca, podem ser encontrados viscosidade, frescor, notas cítricas evoluídas, mas também um pouco de taninos, assim como em um vinho tinto mais leve. A austeridade do vinho laranja é outro ponto comum. O amargor, considerado por muitos um defeito, é quase unânime e, nesse caso, se dá pela vinificação, e não por falha no processo.

Vinho azul

A elaboração do vinho azul se dá com uvas tintas e brancas. Atualmente, alguns exemplares possuem mosto de uva adicionado, para se enquadrar na classificação europeia de bebida aromatizada à base de vinho. No fim do processo, são adicionados corantes e, geralmente, compostos adocicados semelhantes aos adoçantes.

Dica de leitura:  A importância de provar vinhos diferentes

O processo para se chegar à cor azul não é natural e não acontece por meio da vinificação. A cor azul se dá pela adição de dois corantes, índigo e antocianina, que seguem os regulamentos para produtos alimentares. Não existem especificações sobre as uvas, nem sobre o método de vinificação. Cada exemplar tem seu blend e podem ser utilizadas tanto castas brancas quanto tintas.

Sua coloração é típica, uma tonalidade vibrante de azul, conhecida como índigo. Os aromas e sabores variam, assim como o blend de uvas utilizadas, mas é comum que sejam frutados, florais, com bom frescor e bem alegres e convidativos. São bebidas para serem consumidas jovens, para uma degustação sem compromisso.

A Espanha foi o país do lançamento do primeiro vinho azul do mercado, em 2015. Outros países europeus vêm apostando nesse nicho, como Portugal e Alemanha. No Brasil não é possível encontrar o vinho azul legalmente. Pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) brasileiro, não é permitida a importação e comercialização de vinhos e espumantes que contenham qualquer tipo de corante artificial ou que não estejam previstos na legislação sobre aditivos da Anvisa.

No mercado europeu, os vinhos azuis também não podem ser comercializados como vinhos atualmente, mas sim como bebida aromatizada à base de vinho.

Escrito por: Taimmy Rodrigues

Sommelière, capixaba, com formação em História, Alta Gastronomia e em vinhos pela WSET.