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Vinhas velhas

22 fevereiro 2019
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Vinhas velhas originam uvas mais concentradas de aromas, sabores e, consequentemente, vinhos mais intensos. Confira.

Você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre vinhas velhas. Esse é um termo que aparece frequentemente estampado em rótulos de vinhos para dizer que as uvas que os originaram são provenientes de videiras mais antigas. Mas o que os diferenciam dos exemplares que vêm de vinhas jovens?

Vinhas jovens e vinhas velhas

As videiras são plantas arbustivas da família das vitáceas. A espécie responsável por gerar vinhos finos é a Vitis vinifera. Após cultivada, ela precisa de um tempo mínimo, cerca de três anos, para começar a expressar suas características efetivamente.

As vinhas jovens possuem raízes que estão menos aprofundadas no solo, captam diversidade menor de compostos químicos naturais, por passarem por menos camadas diferentes de solos.

Já as videiras mais vividas, que alguns estudiosos consideram a partir dos 40 anos, embora não haja consenso, possuem menor rendimento e menor volume de cachos, e estão plenamente adaptadas ao seu solo e clima. Como têm menos cachos, os que têm são mais concentrados, complexos em aromas e sabores, resultando em vinhos únicos, intensos e cheios de personalidade.

E em relação à qualidade dos vinhos?

A idade estipulada para uma videira ser considerada velha pode variar bastante, principalmente, por existirem áreas produtoras mais antigas e outras mais recentes. Levando em consideração o ataque da filoxera, que em meados do século XIX devastou vinhedos de diversos países do mundo, estima-se que as videiras mais antigas atualmente têm centenas de anos.

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Vinhas velhas são responsáveis por produzir vinhos que expressam muito bem o terroir local, já que suas raízes atingem maior profundidade, uma diversidade maior de camadas do solo e carregam complexidade de compostos para as folhas e cachos e uvas. Mas isso não está ligado necessariamente a uma maior qualidade do produto final, de forma alguma.

As condições do terroir, de forma geral, os cuidados com a planta, a escolha da uva ideal, a poda, a irrigação, tudo isso influencia em quão bom um rótulo pode ser. Videiras velhas sem os cuidados adequados podem, sim, gerar uvas e, consequentemente, vinhos ruins, da mesma maneira que vinhos jovens podem originar exemplares incríveis.

 

Vinhos de vinhas velhas para você experimentar

Barahonda Campo Arriba Old Vines 2015 – Vinho de uma pequena região espanhola, chamada Yecla, onde a Monastrell reina. É uma região onde as vinhas devem obedecer um espaçamento mínimo entre elas, porque o solo é pobre, aí evita que elas fiquem competindo por nutrientes.

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OGV Old Garnacha Vines Barrica D.O. Calatayud 2016 – Seus vinhedos têm mais de 50 anos, muitos dos quais alcançam os 100 anos de idade e estão localizados entre 800 e 1100 metros, no nível do mar, nas montanhas ao redor de Calatayud.

Miolo Vinhas Velhas Tannat 2015 – Grande exemplar de Tannat produzido em solo brasileiro. Um vinho que ainda está bem jovem, pontuado com 93 pontos pelo famoso Guia Descorchados. A vinícola Miolo afirma que as uvas foram colhidas no vinhedo mais antigo do Brasil, que datam de 1976.

Morandé Edición Limitada Carignan 2016 – Um varietal da uva Carignan colhida no Valle del Maule. Exemplar concentrado, com corpo de médio para encorpado, com boa complexidade de aromas e sabores. Foi elaborado com maestria pela Morandé.

Bobal deSanjuan Viñas Viejas D.O.P. Utiel-Requena 2016 – Tinto espanhol elaborado com a uva Bobal, colhida em vinhedos com 60 a 80 anos de idade, por isso tem no rótulo as palavras: Viñas Viejas. É uma variedade quase que cultivada apenas em Utiel-Requena e Manchuela.

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Escrito por: Ana Cristina Fulgêncio

Formada em Bioquímica Agrícola e em Viticultura e Enologia, já atuou em vinícolas, desde a elaboração até a venda do produto final.