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Vinhos

Vinho alemão: como ler rótulos e escolher o melhor

06 outubro 2020
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País famoso por sua cultura cervejeira também possui vinhos deliciosos, e saber ler seu rótulo ajuda na escolha ideal para o seu paladar

Saber ler o rótulo de um vinho alemão é uma tarefa que costuma ser feita por um seleto grupo de pessoas. Afinal de contas, com um idioma que não costuma fazer parte de nosso cotidiano, fica complicado até mesmo conferir os detalhes básicos da bebida.

O povo alemão é um grande consumidor de bebidas alcoólicas. De acordo com um estudo da Deutschen Hauptstelle für Suchtfragen e.V. (DHS), datado de 8 de abril de 2020, cada alemão bebeu, em média, 131,3 litros de bebidas alcoólicas em 2018.

A DHS citou em seu estudo que essa quantidade é equivalente a uma banheira cheia de cerveja, vinho, espumante e bebidas destiladas, o que ajuda a ter uma ideia de quão comum é o consumo por lá.

Embora o país seja tradicionalmente conhecido por suas cervejas (de acordo com o portal Statista, o consumo per capita foi de 102 litros em 2018), a Alemanha também é uma excelente produtora de vinhos, com rótulos conceituados em todo o mundo.

Segundo a OIV, Organização Internacional da Vinha e do Vinho, a Alemanha produziu 10,3 milhões de hectolitros em 2018. Números que a coloca à frente de África do Sul (9,5 mi/hl), Portugal (6,1 mi), Romênia (5,1 mi/hl), Brasil (3,1 mi/hl) e Nova Zelândia (3 mi/hl).

Isso comprova que o país está entre os principais produtores de vinho do mundo, o que, por sua vez, reafirma a importância de sabermos como ler os rótulos para identificar os deliciosos vinhos alemães. Continue conosco para entender mais sobre o assunto.

Como identificar as principais informações do rótulo de um vinho alemão?

O idioma alemão é um tanto quanto complicado, o que coloca seus rótulos entre os mais difíceis do mundo, especialmente para quem não tem qualquer contato com a língua. Mas você pode conferir as informações dos vinhos mesmo que não seja um especialista ou fluente.

Há vários detalhes importantes, de safra, região de origem, teor alcoólico, uva e nome do produtor a categoria de qualidade, número do teste de controle de qualidade, tipo e estilo do vinho. Alguns dados são obrigatórios e outros opcionais.

Os vinhos alemães passam por um rigoroso controle de qualidade (A.P.NR.), elaborado pela Sociedade Alemã de Agricultura (DLG). Os  vinhos são classificados em quatro categorias de qualidade: Deutscher Wein, Landwein, Qualitätswein (QbA) e Prädikatswein. E depois dividido em níveis de maturação: Kabinett, Spätlese, Auslese, Beerenauslese, Eiswein and Trockenbeerenauslese.

Cada uma das categorias de qualidade é determinada pelo nível de maturação que as uvas atingiram no momento da colheita. Uvas maduras fornecem mais aroma e mais sabor. Quanto mais maduras forem as uvas, mais alta será a posição na pirâmide dos vinhos produzidos a partir dessas uvas.

As categorias de qualidade do vinho alemão são divididas da seguinte forma, acompanhadas de algumas de suas características:

Deutscher Wein

Feito a partir de uvas normalmente maduras e ligeiramente abaixo de maduras. Podem ser produzidos com uvas colhidas em vinhedos de todo o território alemão.

Esses são os vinhos mais simples de todas as categorias, não são oficialmente testados e não têm um número AP. São equivalentes aos vinhos do país, como Vinho de Portugal ou Vin de France.

Deutscher Landwein

Um Deutscher Wein superior. Nesse caso, é necessário que as uvas sejam provenientes de regiões autorizadas e especificadas pela lei. Equipara-se aos IGP’s (Indicação Geográfica Protegida) dos outros países europeus. Esses vinhos são testados por um comitê e recebe um número AP. Um Landwein não deve conter mais de 18 gramas de açúcar por litro.

Qualitätswein bestimmter Anbaugebiet (QbA)

Os vinhos devem ser elaborados em uma das 13 regiões vitivinícolas demarcadas e com castas autorizadas oriundas dessas áreas. O rótulo deve conter o nome da região. As uvas precisam atingir um grau mínimo de maturação e de volume de álcool, que não pode ser inferior a 7%. O teor alcoólico destes vinhos pode ser reforçado antes da fermentação por chaptalização.

Em setembro de 1994, foi permitida a criação de uma subcategoria QbA, a Qualitätswein garantierten Ursprungs (QgU). A QgU indica uma região, vinha ou aldeia específica, que apresenta perfil e tipicidade específica e consistente associado à sua denominação de origem. Esses vinhos estão sujeitos a requisitos sensoriais e analíticos mais rigorosos.  Vinhos de nível Qualitätswein geralmente usam termos no rótulo para indicar o nível de doçura do vinho:

  • Trocken: vinho seco;
  • Halbtrocken: vinho meio-seco ou ligeiramente doce;
  • Feinherb: termo não-oficial usado para descrever vinhos semelhantes ao Halbtrocken;
  • Liebliche: vinho doce.

Qualitätswein mit Prädikat (QmP) ou Prädikatswein

Os vinhos precisam respeitar as leis impostas pela Denominação de Origem, o que inclui área de plantio e uvas autorizadas. As uvas também devem atingir um grau específico de maturação, açúcar e teor alcoólico natural e os rótulos precisam estampar alguns atributos específicos referentes à região de produção, ao nível de maturação das uvas e ao método de colheita. A este tipo de vinho não pode ser adicionado açúcar durante o processo de produção, a chaptalização.

Há seis subcategorias de Prädikatswein: 

  • Kabinett: colheita feita com as uvas completamente maduras, que resultam em vinhos mais leves e com baixo teor alcoólico.
  • Spätlese: colheita tardia, ou seja, as uvas são colhidas após o período estabelecido para a vindima. Os vinhos são concentrados e com aroma intenso, mas não necessariamente com o paladar adocicado.
  • Auslese: uvas colhidas muito maduras, mas apenas os cachos selecionados. Gera vinhos nobres, com intensidade tanto no aroma quanto no paladar. A doçura no paladar não é uma regra.
  • Beerenauslese (BA): uvas sobremaduras, infectadas com Botrytis cinerea, e colhidas com seleção criteriosa dos bagos, com colheitas feitas apenas em safras excepcionais. Seus vinhos são longevos, ricos e doces.
  • Eiswein: esse tipo de vinho é produzido com uvas sobremaduras naturalmente congeladas nas vinhas. Gera vinhos nobres e singulares, altamente concentrados.
  • Trockenbeerenauslese (TBA): uvas sobremaduras e secas, que adquirem características próximas às de uvas passas. Seus vinhos são doces, nobres e ricos.

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Quais são as uvas mais utilizadas para elaboração de vinhos alemães?

As variedades de uvas mais famosas são os seguintes:

  • Riesling: a mais popular quando se fala sobre vinho alemão, é responsável por aproximadamente ⅕ de toda a produção no país. Sua história data do século XV e se origina na região do Vale do Reno. Altamente aromática, tem notas florais, sabor frutado e a acidez elevada. Harmoniza bem com peixe, carne de porco e comidas picantes e condimentadas, como pratos leves das cozinhas mexicana e nordestina.
  • Spätburgunder (Pinot Noir): a variedade tinta mais popular na Alemanha, é cultivada em todas as 13 regiões vitícolas do país. As características variam de acordo com o clima e o solo de onde estão plantadas. Saboroso e elegante, o Spätburgunder tradicional alemão é leve no corpo e na coloração e possui um menor nível de carga tânica. Porém, a produção de exemplares os mais encorpados e tânicos está crescendo.
  • Grauburgunder (Pinot Gris): embora seja uma casta branca, as uvas possuem uma coloração avermelhada-acinzentada. Vinhos desta uva possuem um nível de acidez médio, bom corpo e leve toque picante na língua. São frutados com notas de nozes e frescos. 
  • Müller-Thurgau: variedade branca muito utilizada para a elaboração de vinho alemão, atrás apenas da Riesling. Origina vinhos leves, frescos com aromas florais e notas de frutas brancas e cítricas. São melhores quando consumidos ainda jovem. 
  • Silvaner: uva branca que já foi a mais importante para produção de vinho alemão, mas hoje perdeu protagonismo para a Riesling. Origina vinhos com acidez pronunciada, corpo médio e aromas delicados de frutas cítricas, maçã verde e amêndoas. Popularmente, são chamados de “vinho do Drácula”, por ser muito antigo, ter aparência pálida e estragar quando exposto à luz do sol forte e direta por muito tempo. 
  • Frühburgunder (Pinot Noir Précoce): uma uva tinta, que é, na verdade, outra versão da Pinot Noir, ou Spätburgunder. Essa variedade amadurece precocemente. Seus vinhos têm cor vermelho claro, aromas de frutas vermelhas, paladar frutado, bom corpo e taninos mais macios e aveludados que o Spätburgunder. O Vale do Rio Ahr é especializado na produção de vinho com essa uva.

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Curiosidades sobre os rótulos alemães

Há alguns pontos que merecem destaque entre os vinhos alemães, já que chamam a atenção até mesmo de quem está acostumado com o universo do vinho.

A safra só pode ser especificada no rótulo se o vinho for elaborado com pelo menos 85% de uvas colhidas no mesmo ano. Além disso, a uva só pode ser especificada no rótulo caso o vinho tenha sido feito com pelo menos 85% daquela variedade.

Em relação ao teste de controle de qualidade, o procedimento é rigoroso e dividido em duas partes. Na primeira, analisa-se a origem, tipicidade, variedade e qualidade da uva, sendo que as respostas consistem apenas em “sim” ou “não”. Uma única resposta negativa já desqualifica aquele rótulo.

Na segunda etapa, realiza-se uma análise visual, olfativa, gustativa e a harmonia do vinho, com pontuação máxima de 5 e nota mínima de 1,5.

Conhecer os rótulos alemães é fundamental para ter uma experiência mais rica e prazerosa com a bebida. Assim, você saberá exatamente o que está consumindo e o que está por trás de todos os processos envolvidos no desenvolvimento daquele vinho.

Tais dados podem variar de acordo com seu país de origem, já que cada território tem sua legislação e suas normas de importação, mas todos os rótulos visam informar o que está dentro daquela garrafa, como se fosse um documento de identidade da bebida.

E você, já experimentou algum vinho alemão? As uvas eram de alguma das espécies que vimos por aqui? Qual foi a sua experiência? Aguardamos sua resposta nos comentários. Até a próxima!

Escrito por: Wine