Diário do Winehunter

À francesa

01 março 2019
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Do encontro inusitado com o crítico James Suckling à comemoração de aniversário em solo francês, nossa viagem de degustação anual teve várias boas surpresas.

Todos os anos fazemos nossa degustação anual na casa do Manu Brandão, na França. É lá que recebemos amostras do mundo inteiro e onde selecionamos várias propostas para nossos Clubes Wine, portfólio e site. São, aproximadamente, 400 garrafas.

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Esse encontro costuma acontecer em novembro. No entanto, excepcionalmente dessa vez, Manu, Rogerio e eu achamos melhor postergar nossa viagem para janeiro devido aos protestos que vêm ocorrendo na França pelos Gilets Jaunes (coletes amarelos) que, ultimamente, estão um pouco mais contidos.

Outra mudança: dessa vez, realizamos nossas provas na sala de degustações do Château Tour Saint Christophe Saint-Emilion Grand Cru, em Bordeaux, onde tivemos a grata surpresa de conhecer pessoalmente James Suckling, o renomado crítico de vinhos norte-americano.

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Com sua equipe, ele estava pontuando os vinhos do Château. Muito simpático, disse que quer conhecer o Brasil, pois tem um grande número de seguidores brasileiros.

Foram três dias de provas e visitas aos parceiros amigos em Bordeaux – aliás, registro aqui o meu muito obrigado a Valerie Calvet pelo boeuf bourguignon: estava bárbaro! Também não poderia deixar de agradecer ao Benoit pela escolha dos vinhos da noite, e sua delicadeza por ter se lembrado de meu aniversário.

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Partimos, em seguida, para o Rhône. Foram cerca de 500 km de carro, passando por cidades históricas, monumentos da época romana… uma viagem que recomendo, porque é incrível! Chegamos, então, a Avignon, a cidade dos papas (vale a pena pesquisar sobre o tema), onde nos hospedamos para continuar a jornada no dia seguinte.

Era uma segunda-feira, por volta de dez da noite e, por pouco, não ficamos sem comer. Fica a dica: nunca chegue tarde a uma cidade pequena na Europa sem antes fazer reservas.

No dia seguinte, partimos para conhecer a fundo várias denominações do Rhône, Plan de Dieu, Gigondas e Châteauneuf-du- Pape, entre outras. E tivemos uma verdadeira aula de terroir e conhecimento sobre vinhos. Aguardem novidades!

Em Dentelles de Montmirail (AOC Gigondas), fizemos praticamente um rally para conhecer uma parcela de altitude. Lá encontramos pedras fossilizadas, algo incrível! Em Châteauneuf-du-Pape participamos de uma degustação inesquecível de exemplares de CdP. Ficou bastante nítido para nós como evolui bem esse estilo de vinho.

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Retornando a Bordeaux, fomos convidados a almoçar em um mercado surpreendente. Nesse lugar conhecemos Chez Bebelle, ex-jogador de rúgbi, amigo de Gerard Bertrand, também um ex-jogador que hoje é proprietário de vinícolas consagradas no sul da França.

E, em meio a tantas surpresas, saboreamos um entrecôte. Um fato curioso é que Bebelle trouxe do Brasil (precisamente de uma visita que fez a Búzios, no litoral fluminense) a ideia de usar um megafone para pedir os pratos. Muito bom!

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Seguimos a viagem rumo ao destino final, Libourne, cuja feira visitamos no dia seguinte a fim de comprar ostras frescas para o almoço, desta vez na casa do Manu. Com muito vinho, agora por prazer, sem cuspir [risos]. E adoramos conhecer, além da família que aumentou, o mais novo mascote do Enclos, o brincalhão Otto. Santé!

Escrito por: Vicente Jorge

Winehunter, já lecionou em cursos de sommelier e tem mais de 22 anos de experiência no mundo do vinho.