Diário do Winehunter

O Rhône e suas histórias

01 abril 2019
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Uma das regiões vinícolas mais tradicionais da França está cercada de curiosidades

Por vocação, o Vale do Rhône sempre foi uma passagem privilegiada entre o Mediterrâneo e a Europa do Norte ou do Atlântico. E isso acontece desde a Antiguidade, quando os gregos praticavam trocas comerciais. A cultura da vinha e do vinho continuou com a chegada dos romanos, em 125 a.C. E, desde o século XIV estabelecidos em Avignon, os papas apelaram aos vinhedos locais para, dali, extraírem suas necessidades.

João XXII, o segundo dos sete papas franceses, construiu o castelo de Châteauneuf-du-Pape, cercado por 25 hectares de vinhas e olivais e hoje monumento histórico. Bento XII, o terceiro pontífice, lançou a construção do Palácio dos Papas em Avignon, uma das maiores e mais importantes construções góticas da Idade Média na Europa. É uma das regiões vitícolas mais antigas da França, como descobrimos numa viagem ao Rhone: a 471 metros de altitude, deparamos com um fóssil na pedra, em Gigondas!

Com o tempo, a região adquiriu notoriedade pela qualidade dos vinhos e, em 1650, uma regulamentação interveio para proteger a autenticidade de origem e garantir a qualidade dos exemplares produzidos na área. Mas foi em 1737 que um édito do Rei da França exigiu que todas as barricas para a venda e o transporte deveriam passar a ser marcadas com as letras “CDR” (Côtes du Rhône).

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Esses vinhos, que no passado eram considerados “secundários”, serviam como uma espécie de “aditivo” para os vinhos de Bordeaux e da Borgonha. Mas, em 1936, a maioria dos vinhos clássicos do Rhône (assim como os de Bordeaux, Borgonha e Champagne) tiveram a AOC concedida pelo INAO, o Institut National de l’Origine et de la Qualité.

Hoje a Denominação de Origem Controlada mais importante ao sul do Vale do Rhône é Châteauneuf-du-Pape, que significa “Novo Castelo do Papa”, uma referência à época do século XIV em que o papa Clemente V residia em Avignon, e não em Roma. Hoje, restaram apenas vestígios de uma das torres do castelo, o ponto turístico mais visitado da região.

O Vale do Rhône se estende por 250 km de comprimento, com 77 mil hectares e uma diversidade incrível de terroirs, desde os de altitude, no norte (como em Condrieu), até totalmente plano, no sul, como Plan de Dieu. Também, encontra-se o  terroir típico em Châteauneuf-du-Pape, com pedras redondas de rio, como expliquei para a minha baixinha, no registro de uma das fotos deste relato.

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Cada viagem traz ainda mais conhecimento sobre a História. Em uma delas, realizada no ano passado com nossos queridos Sócios contemplados, visitamos o Rhône. Nessa época, estava acontecendo uma exploração arqueológica nas ruínas de Châteauneuf-du-Pape porque vestígios de salas secretas logo abaixo da torre foram descobertos durante uma reforma. O que não nos impediu de almoçar no restaurante ao pé da torre, Le Verger des Papes. Aliás, fica a dica.

Já neste ano, fizemos nossa parada no Rhône em janeiro, durante nosso painel anual de degustação com diversos produtores, conforme o Vicente relatou na edição número 111 da revista Wine, do mês de março, e o leitor pode conferir aqui. Nessa mesma viagem, em Gigondas, encontramos a neve, o que não é comum na região – fazia mais de dez anos que ela não aparecia. Em um dos produtores encontramos uma linha incrível – fizemos a visita em plena montanha de Dentelles de Montmirail, onde se encontram parcelas isoladas desse produtor.

E há, ainda, muita história para contar em poucas frases. Deixo as próximas para as edições seguintes deste diário.

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Escrito por: Manu Brandão

Winehunter, francês e nativo de Bordeaux com mais de 25 anos de experiência no mundo do vinho.