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O verão de 2016 em Languedoc-Roussillon foi especial. Pelo menos para a produção vinícola: com dias quentes e noites frescas, a região francesa rendeu uvas muito concentradas, resultando em vinhos com alta intensidade de sabor – características dos exemplares deste mês, que carregam em seus rótulos a safra 2016.

Mas, afinal, o que a safra significa? É um atestado de qualidade? O oposto – vinhos não safrados – é um mau sinal? Embora, em teoria, entenda-se que a safra se relaciona à época da colheita, o conceito pode ainda ser confuso para muita gente. Então, vamos por partes: o que está por trás de uma safra é, em linhas gerais, o clima daquele período. Isso porque as vinhas reagem às variações climáticas durante todo o ano e essas mudanças acabam refletindo na qualidade das suas uvas. Ou seja, mais importante que o vinho ser safrado, é entender as características daquele ano e como ele influenciou a produção, levando em conta também o perfil da própria uva – já que cada variedade se desenvolve melhor (ou pior) sob determinadas condições. Há safras históricas que produziram grandes vinhos, como as famosas de 1982, 1989, 1990 em Bordeaux e, mais tarde, em 2009, considerada por produtores e especialistas “a safra da Cabernet Sauvignon”, ano em que essa casta chegou quase à perfeição, atingindo grau de açúcar, maturação e acidez ideais.

Quanto aos rótulos sem safra, a ausência da indicação do ano nada tem a ver com a qualidade do vinho. Diversos estilos são elaborados de modo a não sofrerem influências da safra e preservarem suas características. É o caso do vinho do Porto, do Jerez, do Champagne e outros espumantes, que mantêm suas particularidades independentemente da época em que são produzidos. Nesses casos, o vinho base é misturado a vinhos de diferentes safras que também podem vir de vinhedos diversos. O desafio, aqui, é manter a personalidade da bebida.

E, claro, além de todos os fatores climáticos incontroláveis que fazem toda a diferença para uma boa safra, há também a interferência humana, que também contribui bastante para o resultado final. Um enólogo experiente vai facilmente conseguir produzir vinhos fabulosos a partir de safras em que tudo deu certo. Mas é também nas épocas difíceis que esse profissional coloca à prova seus conhecimentos e nível de dedicação, desenvolvendo bons exemplares mesmo sob condições adversas.

No caso dos vinhos do mês, é o melhor dos dois mundos: produzidos por uma vinícola de alta qualidade em uma das mais importantes regiões da França e em um ano espetacular. Merece um brinde, não?

Experiências Notáveis

Experiência com exemplares prestigiados, ideal para paladares mais aguçados.
R$ 194/mês

Explore os rótulos do mês de Agosto

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Os vinhos deste mês são fantásticos e possuem um estilo que me agrada muito: um tinto elaborado com a Pinot Noir e um branco com a uva Chardonnay. Eles são do sul da França, uma área que tem nos surpreendido muito a cada nova degustação. A escolha dessa seleção aconteceu em uma viagem que fizemos, eu, Manu, nosso Diretor de Operação, Ricardo Buteri, e da minha esposa, Lica. Foi muito bacana compartilhar com eles essas novas descobertas.
- Vicente Jorge, WineHunter

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